Remorso
Letra
Remorso Todos nós temos na vida Para marcar A quadra dolorida! Que não se Pode convidar Remorso Muitas vezes é saudade! Da felicidade Que não se Soube aproveitarRemorso É acompanhado num enterro De um grande erro! Que não se Pode consertar Remorso É sonhar acordado É sentir no Presente, o passadoÉ ver nas trevas Um vulto! Que ameaça descobrir O segredo mais oculto!Remorso É aquilo que tu sentes Perto de alguém Na hora que tu mentes! Com sutilezas, sem fim Remorso É veneno em poesia E eu hoje em dia Vivo com ódio Até de mimEu sofro com Pena do teu remorso E muito me esforço Pra não ter Tanta pena assimRemorso É aquilo que tu sentes
História da Canção
Noel Rosa, o "Poeta da Vila", é conhecido por sua sagacidade e observação do cotidiano carioca. No entanto, em "Remorso", ele mergulha em uma introspecção profunda e dolorosa, revelando uma faceta mais melancólica e filosófica de sua obra. Composta por volta de 1934-1935, a canção foi gravada pioneiramente pela lendária Aracy de Almeida em 1935, uma das grandes intérpretes do samba e parceira constante de Noel.
A letra é um mergulho na psique humana, explorando o peso do arrependimento e das oportunidades perdidas. Noel descreve o remorso não apenas como uma lembrança, mas como um tormento presente, "sentir no Presente, o passado", e até mesmo como um "veneno em poesia" que leva ao ódio de si mesmo. Essa abordagem sombria e auto-reflexiva contrasta com muitos de seus sambas mais leves e brincalhões, demonstrando a vasta gama de seu talento como letrista e compositor.
Em um período de ouro para o rádio e a música popular brasileira, Noel Rosa não apenas divertia seu público com crônicas sociais, mas também o convidava a refletir sobre as complexidades da alma. "Remorso" é um testemunho da genialidade de Noel em transcender o mero entretenimento, criando uma obra atemporal que continua a ressoar pela sua honestidade brutal e universalidade do sentimento de culpa e saudade do que não foi.
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