Composição de 1935

Deus sabe o que Faz

Letra

Tu sendo infeliz como se vê
Bancas tanto chiquê
Que a mim até já faz horror
Quanto mais se tivesses valor
Não teve e nem terás
Deus sabe o que faz...O chiquê é feio pra quem pode ter
Quanto mais pra quem não tem nada de seu
Ai de quem não sabe se reconhecer
Nunca vi um gênio igual ao teuMas o mundo nos ensina a viver
Tudo isso com o tempo há de ter fim
Porque mesmo tu tens que reconhecer
Que nunca se deve ser assim

História da Canção

Noel Rosa (1910-1937), o Poeta da Vila, foi um mestre na observação aguda do cotidiano carioca e um cronista musical incomparável das nuances sociais da sua época. Em "Deus sabe o que faz", composta e gravada em 1935 na voz de Mário Reis, Noel volta seu olhar crítico para um tipo social que, apesar de ser "infeliz como se vê", insiste em "bancar tanto chiquê".

A letra é uma ácida crítica à ostentação e à superficialidade, características que o Poeta da Vila frequentemente satirizava com sua inteligência peculiar. Na efervescente Rio de Janeiro dos anos 30, em meio a transformações sociais e urbanas, a busca por status e a pretensão de uma vida luxuosa por parte de quem não podia sustentá-la eram alvos perfeitos para o sarcasmo de Noel. A canção, com versos cortantes como "O chiquê é feio pra quem pode ter / Quanto mais pra quem não tem nada de seu" e a mordaz ironia em "Nunca vi um gênio igual ao teu", expõe a hipocrisia e a falta de autoconhecimento, denunciando a futilidade de quem valoriza mais a imagem do que a essência.

"Deus sabe o que faz" é um exemplo brilhante da capacidade de Noel de transformar observações do dia a dia em crônicas sociais repletas de inteligência, ironia e uma visão perspicaz da natureza humana.

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